Era uma vez uma história. Todas as histórias que se prezem começam com 'era uma vez'. 'Era uma vez' em que eu era feliz. Essa história acabou de começar e é contada na primeira pessoa. Junta todas as cores do mundo. Vermelho do sangue que corre nas nossas vidas e nas nossas veias. Verde da relva que pisamos descalços e dançamos ao som dos nossos próprios lábios. Azul do mar que perseguimos mas que nos foge escondendo-se num céu ainda mais infinito. Branco dos prédios à nossa volta, a grandiosa selva de betão que abraçamos porque é agora a nossa casa. Preto da noite onde podemos ser nós próprios, fugir do mundo e libertar o alter-ego que anseia por ti. Castanho da árvore onde nos tornámos imortais, a velha figueira que se despe no Inverno.
A nossa carne e os nossos ossos são os protagonistas, manipulados constantemente por dois cérebros perversos que não conseguem parar de sorrir quando se encontram. Correm líquidos por toda a parte. A água onde nos banhamos e o vinho que bebemos. Todas as histórias têm um cenário, menos esta. Esta passa-se num sítio onde as piranhas engolem ursos e onde tu não me podes encontrar a não ser que eu te sussurre ao ouvido 'Vem comigo'. A luz do Sol, das outras estrelas, reflectida nos planetas onde viajamos de mão dada e que descobrimos a cada dia. A Lua que descansa o coração do Sol e nos dá uma parte dele sem ele saber. Nós acenamos e agradecemos. Está cheio de acções nossas, minhas tuas, de sorrisos, de toques, de olhares ainda tímidos, de silêncios aconchegantes e de arrepios desconcertantes. Mas não temos frio, nem calor. Temos sim uma grande fome de saber e uma ainda maior sede de aprender. Queremos aprender quem somos, o que nos torna reais, o que nos separa e torna diferentes e o que nos une, para além de sermos apenas nós e de termos uma vontade de viver que chega quase a fazer-te corar. Quiseste ver-me por dentro e eu deixei porque não tenho segredos nem fachadas, porque sou apenas eu.
Portanto não tenhas pressa, eu tenho tempo e tu tens muito mais do que eu. A que horas queres que te vá buscar? A história é nossa, somos nós que a escrevemos e os erros ortográficos não existem porque nós escrevemos com os olhos, com os ouvidos, com o nariz, com os dedos, com a boca, mas sobretudo com o Coração.
Sem comentários:
Enviar um comentário