No futuro vou fazer história e vou fazer o que quiser, o que me der na gana. E vou fazê-lo por mim, não por mais ninguém. Vou escrever o meu nome no fundo do Oceano Índico, tirar fotos à lula gigante e abraçar um urso polar. Vou ao topo do Evareste e vou continuar com tanto para dar. Aos monges do Nepal, aos aborígenes australianos e a mim mesmo. E tu vais continuar a ser tu, essa versão de ti que eu nunca conheci e vais ser feliz a sê-lo.
Mas vou sempre em frente, sem palas nem cintos de segurança disposto a errar se tiver de o fazer. Não é o único caminho, é verdade e o passado é um bom sítio para visitar mas não muito bom para se viver. Quero viver longe daqui, na Austrália, ser mordido por cobras e aranhas. Na Suécia, num iglô. Quero descobrir-me, em todos os contextos, com todas as pessoas, tanto para amadurecer, tanto para viver. Passa-me a garrafa, preciso de um trago, ou dois, talvez três, os que quiseres.
Mas desta vez não ma voltas a tirar, vou ser eu quem decide o que é melhor para mim, vou ser eu próprio, sem fachadas, sem medos nem ressentimentos. Vou para a frente, para a frente da guerra, mas desta vez não vou apaziguar as hostes, vou combater contra ambas as partes e lutar para sobreviver. Vou para a frente, pensar como um homem de acção e agir como um homem que pensa. Mas não vou pensar muito, porque não serve de nada, não nos trás o que queremos. Só temos o que queremos quando nos mexemos e fazemos algo para o conseguir, mesmo que às vezes nos apontem um revólver à testa e nos digam para parar. Estão apenas a testar a nossa coragem. Não importa para onde vou, para onde me levam, porque vou para a frente, vou ser o primeiro, vou triunfar e vou amar cada segundo dessa vitória enquanto a celebro como um rei no seu aniversário. Já não preciso mais de estar sozinho, meia dúzia de capangas fazem falta e tornam-me completo como mais ninguém consegue nem pode conseguir.
Se há algo que precisam de saber, que eu preciso de saber, é que não vou voltar atrás, amiga, anda, vem beber comigo, faz o que te digo, vais ficar bem. Tens coisas más presas nessa cabeça, vomita-as e olha para as estrelas, talvez quando olhares para o lado, enquanto mantiveres as tuas mãos no ar e gritares, eu estarei ao teu lado, a guardar as coisas boas de que te esqueceste. Talvez me sente na relva ao teu lado, te ponha o braço no ombro e fiquemos assim a conversar silenciosamente por horas a fio, a viver cada segundo, ou talvez gritemos juntos, corremos juntos, dancemos juntos, amemos juntos. Talvez não façamos nada disto, porque eu não te quero ou porque me queres de mais. Agora ninguém me pode prender, eu deitei fora as algemas, nem eu me posso prender com palavras e passividade. És uma agulha num palheiro, mas eu sempre gostei de feno e não tardarei em te encontrar, quando menos esperar. Sei que és pontiaguda e afiada, mas também sei que não me vais picar.
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